Classes Sociais no Brasil: Você se reconhece?

Escrito por Flavia Crancio el 28 de octubre 2010

Tendo sua época de criação mais provável no Brasil no início dos anos 50, o sistema de reconhecimento do nível sócio-econômico da população do nosso país é denominada hoje de “Classe Social”. Se formos olhar bem por cima a composição destes valores, veremos basicamente 5 classes: os muito ricos, os ricos, os da chamada “classe média”, os pobres e os muito pobres.

Um estudo feito pelo instituto Ipsos Marplan* definiu que a classificação social-econômica do brasileiro no último ano de 2009 foi a seguinte:


*dados baseados na renda média individual dos brasileiros

Mas como você poderia saber a qual classe você pertence hoje?
A ABEP – Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa formulou em 2008 uma planilha para a classificação dos indivíduos da sociedade, baseada no total dos ganhos de todos os membros de uma residência:

Assim, de acordo com a ABEP, para ser considerada “rica”, uma pessoa deve estar entre as classes A2 ou A1. Hoje, só 1% dos brasileiros são representantes da classe A1 e 4% fazem parte da classe A2. Na classe social B encontramos 24% dos indivíduos de nosso país, enquanto na classe C temos 43% – a maioria da população brasileira pode ser considerada, hoje, parte da classe C da tabela da ABEP, ou, como costumamos falar, fazem parte da “classe média” da sociedade. No final da classificação, 25% das pessoas residentes no Brasil são parte da classe D, que também é chamada de “classe média baixa” e, ainda bem, encontramos o pequeno número de 3% que são classificadas como pertencentes à classe E, as pessoas mais pobres da lista.

Atualmente, os institutos de pesquisa classificam o universo dos brasileiros seguindo o CCEB – chamado mais comumente de Critério Brasil – que avalia o poder de compra dos indivíduos e famílias urbanas com base no LSE do IBOPE, classificando-os por classes econômicas ao invés do pouco esclarecedor critério de classes sociais.*
* Fonte: ABEP – Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa

Seguindo a fórmula do Critério Brasil, para definirmos a condição sócio-econômica dos brasileiros através de pesquisas atualmente, são avaliados os seguintes itens:




Ao final, se faz uma média de pontuação:

É assim que funciona hoje a classificação social e econômica que os institutos de pesquisa utilizam para avalilar a população brasileira.

Fontes de consulta: ABEP – Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa

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Gauss morreu?

Escrito por Flavia Crancio el 25 de octubre 2010

Gauss

O mundo se moveu até agora guiando-se por Gauss, mas algo está mudando. Os departamentos de marketing das grandes empresas de consumo aprenderam faz tempo que obter o perfil médio do consumidor não é o caminho: talvez não exista um consumidor médio! Este interessante post de John Hagel nos fala sobre como cada vez é mais difícil encontrar fenômenos sociais que fiquem bem descritos por uma média e um desvio, por muito cômodo que nos resulte tratar os problemas assim.
A organização de uma empresa, a aparição de concentrações empresariais, a distribuição de visitas na web: são exemplos que se descrevem melhor por uma distribuição de Pareto, conhecida também pela regra do 80/20. A facilidade crescente com a que flui a informação e a cada vez maior interrelação de processos sociais fazem cada vez mais difícil verificar a hipótese de independência de variáveis, necessária para a aparição de processos Gaussianos. Por contra, estes processos retroalimentados favorecem fenômenos que se explicam melhor com uma distribuição de Pareto na qual os fenômenos extremos não são tão improváveis.

Escrito por Carlos Ochoa

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Uma razão a mais para ter um painel online com alta taxa de resposta

Escrito por Flavia Crancio el 19 de octubre 2010

(Tradução de texto escrito por Carlos Ochoa)

A forma com que desenhamos um painel online (captação, incentivos, etc) condiciona a taxa de resposta que obtemos nos estudos (% de pessoas que participam em um estudo sobre o total de convites enviados aos panelistas).

Para quê serve ter uma boa taxa de resposta? Muitos crêem que um painel com alta taxa de resposta deveria aportar benefícios metodológicos, motivados principalmente por uma menor autoseleção dos participantes. Mas, pode ser também uma vantagem competitiva para a gestão de projetos? A resposta é sim. Um exemplo: a gestão de cotas.

Vejamos um caso prático: uma pesquisa com um objetivo de 150 respostas (completes) distribuídas em três cotas geográficas (50 respostas/zona). Um estudo como este não pode ser fechado até obter 50 respostas por cota, o que pode nos obrigar a descartar respostas de uma zona geográfica já coberta. Este excesso de respostas se conhece como quota-fulls.

O gráfico abaixo mostra a probabilidade de fechar este estudo com diferentes números de quota-fulls para painéis online com várias taxas de resposta:

Se observarmos a linha rosa que representa um painel com um 80% de taxa de resposta, vemos que a probabilidade de fechar este estudo sem quota-full é apenas de 2,6%, e no pior dos casos teremos um máximo de 26 quota-full. Em um painel com 95% de taxa de resposta nunca teríamos mais de seis quota-full para completar um estudo. Pelo contrário, os resultados pioram progressivamente em painéis com taxas de resposta mais baixas, até que se estabilizam a partir de 20% aproximadamente.

Surpreendente? Não, o resultado é lógico se pensamos no caso ótimo: em um painel com 100% de resposta, poderíamos enviar convites com uma distribuição idêntica à das respostas que desejamos obter e sempre acertaríamos (amostra excedente = 0). Pelo contrário, em painéis com taxas de resposta abaixo de 20%, o nível de amostra excedente se situa em torno a 10-12%.

Já temos uma razão a mais para nos motivarmos na difícil missão de conseguir um painel participativo!

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Compras online superam vendas convencionais dos shoppings da Grande São Paulo

Escrito por Flavia Crancio el 7 de octubre 2010

Notícia sobre acelerado crescimento do comercio eletrônico no Brasil é de relevância também para os estudos online. A penetração da internet no país já permite que quase 70 milhões de brasileiros “sejam encontrados” na rede mundial de computadores. Cada vez mais quem navega na web se sente confortável e seguro para dar sua opinião, deixar dados pessoais e informação bancária. Essa migração permite que possamos conhecer melhor os hábitos, anseios e desejos de boa parte da população.

Parece que os brasileiros finalmente estão se rendendo às facilidades das compras online. Essa conclusão provém de uma pesquisa recentemente solicitada pela Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em conjunto com a consultoria e-bit, que é especialista em informações sobre comércio eletrônico. Com resultados divulgados no último dia 27 de setembro o estudo mostra que o comércio eletrônico brasileiro gerou R$ 7,8 bilhões de faturamento entre janeiro a julho de 2010, o que significa um crescimento de 41,2% em comparação com o mesmo período de 2009. O curioso é que este total de faturamento superou o total de vendas dos shoppings da Grande São Paulo, comparado no mesmo período, que resultou em cerca de R$ 7,2 bilhões.

Com o aumento da presença do e-commerce no varejo, a Fecomercio decidiu rever o método de apuração da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), que é desenvolvida mensalmente desde 1970. Com a mudança feita pela Fecomercio, o comércio eletrônico passa a fazer parte do segmento do varejo, cujo nome, dentro da pesquisa, ficou “e-PCCV”.

De janeiro a julho deste ano, o segmento varejista na Grande São Paulo cresceu, atingindo R$ 55,62 bilhões, o que significa um aumento de 10% em relação a estes meses no ano passado. No comércio virtual, nos primeiros sete meses de 2010, circularam cerca de R$ 1,25 bilhão – o que significa 29,3% a mais em relação aos mesmos meses em 2009. Segundo dados da própria Fecomercio, o desempenho do setor de vendas online deve continuar crescendo nos próximos anos. De acordo com informações da consultoria e-bit, o comércio eletrônico fechará 2010 faturando R$ 14,3 bilhões, o que representa uma alta de 35% em relação a 2009.

Segundo informações da Fecomercio, ainda, calcula-se que o comércio eletrônico deve crescer cerca de 30% por ano e, com isso ocorrendo de fato, as vendas eletrônicas irão superar as de lojas de departamentos e de móveis e decoração em dois anos. Com isso, o comércio eletrônico deixará de ser a nona força do varejo paulista para ficar em sétimo lugar.

A Fecomercio projeta para o varejo na Grande São Paulo este ano, um crescimento de 7%, sendo 6,6% no varejo tradicional e 25% no comércio eletrônico.

De janeiro a julho deste ano, as lojas de eletrodomésticos e eletroeletrônicos registraram as maiores altas no varejo da Grande São Paulo, crescendo 23,8% nas vendas, se compararmos com o mesmo período de 2009. O e-commerce responde por 8% das vendas neste mesmo período.

Considerações sobre a metodologia:*

A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) é feita todo mês pela Fecomercio desde o ano de 1970, sendo atualizada periodicamente para permanecer moderna e adequada ao perfil do varejo. As informações são coletadas em aproximadamente 1.800 estabelecimentos comerciais na região metropolitana de São Paulo. O objetivo da pesquisa é acompanhar e avaliar o desempenho do comércio varejista em seus diversos ramos de atividade. A partir das informações coletadas, geram-se indicadores de faturamento nominal e faturamento real. Os dados da pesquisa visam auxiliar o empresário no processo de tomada de decisões em termos de investimentos, priorização de atividades, identificação de tendências do consumidor e do mercado, adequação a novos padrões, redefinição de diretrizes, alteração nos padrões de consumo, inserção no mercado e servir, com isso, como um balizador das suas atividades a curto prazo. A pesquisa sobre e-commerce parte de uma amostra de 2.500 empresas no Brasil realizada pela empresa de consultoria e-bit, o que significa mais de 90% do faturamento do e-commerce brasileiro. São aplicadas todos os meses 100 mil pesquisas, excluindo-se da amostra o setor de serviços, passagens aéreas e vendas de veículos. Com base nas informações obtidas, a Fecomercio consolida os dados fornecidos pela e-bit, contabilizando-os e comparando-os ao conjunto de atividades do varejo da Grande São Paulo.

*Fonte: Site da Fecomercio www.fecomercio.com.br

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Por que não haverá peak panel

Escrito por Flavia Crancio el 4 de octubre 2010

No ano de 2008 aconteceu o congresso entitulado Frontiers (organizado pela Esomar), que reuniu no Canadá os principais participantes da indústria mundial de estudos de mercado e opinião. Além de muitas conferências interessantes – agradou-me especialmente a de Hernando de Soto, que expôs com muita clareza por que o problema do desenvolvimento tem tanto que ver com a estrutura jurídica dos países, em especial com a existência de direitos de propriedade bem definidos-, este congresso me serviu, um ano mais, para comprovar uma coisa: estamos só ao princípio de uma revolução nos métodos de recolhida de dados para investigação social e de mercado. A revolução evidentemente é a Internet, e a consideração de que estamos ao princípio é só uma das coisas que quero contar a seguir.
Apesar de vermos muitas empresas bem estabelecidas, com um faturamento importante – que, ingenuamente, poderíamos pensar que encontraram um modelo definitivo – a verdade é que se trata de um primeiro modelo, de uma primeira fórmula. Repassemos o sucedido estes anos (que faz pouco tempo que tudo começou!). Primeiro se amplia o uso do computador entre toda a população, algo que nos anos 70 parecia impensável. A seguir, aparece Internet, e todas estas pessoas conectam seus computadores entre si. Ato seguido, a indústria da pesquisa vê ante seus olhos a possibilidade de entrevistar as pessoas de forma remota; de, definitivamente, fazer que as pessoas desde suas casas ou seus trabalhos respondam a questionários online, e as empresas da indústria processem os dados e os analisem. Tudo seria bem mais barato e mais eficiente, pensamos. Mas em seguida aparece um “pequeno” inconveniente: como se contatam as pessoas neste novo mundo? Solução: os painéis online. Muitas empresas na indústria se concentram em captar “respondentes de enquetes”, pessoas que aceitam participar em estudos de mercado em troca de certos incentivos, ou, simplesmente, porque lhes agrada dar sua opinião. O sucesso é imediato. Rapidamente as empresas começam a realizar certos tipos de estudos (especialmente aqueles nos que há imagens, áudio ou vídeo) via web utilizando estes painéis online, e as empresas que criaram os painéis e os gerem, convertem-se, como disse ao princípio deste parágrafo, em empresas fortes, bem estabelecidas. Desde então, sustento, vivemos no que poderíamos chamar de “ilusão da estabilidade”.
Conto-lhes a que me refiro, é simples. O rápido sucesso dos painéis online existentes nos gerou a ilusão de que o modelo inicial de painelização das grandes empresas (SSI, Research Now, Toluna, Greenfield, GMI, e tantas outras) é estável; que funciona, que se manterá por muito tempo. Ah, mas aqui está em minha opinião o grande erro – um erro que cometemos sempre os humanos-, a miopia. Como ia ser definitivo um modelo de painelização que nasceu faz apenas 8 anos, e que depende inteiramente da evolução do ecossistema tecnológico e comportamental da Internet? Para termos uma idéia do erro que poderíamos estar cometendo, não há melhor exemplo do que os portais horizontais do que nos anos 90 víamos como os grandes “players” do mundo Internet. Tratava-se de “portas” de acesso à rede, lugares que reuniam conteúdos de muitos tipos numa espécie de loja de departamentos virtual…lugares que hoje são absolutamente insignificantes, que nenhum de nós utiliza. Não senhores, não nos equivoquemos. Os provedores de online sampling ainda não chegamos a um bom modelo de valor para os respondentes e os pesquisadores, e tudo o que estamos vendo sofrerá muito cedo mudanças “dramáticas” (que diria um anglo-saxão).
Com isto chego ao núcleo deste post. Estou completamente convencido de que nunca existirá o que se chamou “peak painel” na indústria. Para os que não conhecem o conceito, trata-se da predição de que de repente a oferta de respondentes de enquetes não será capaz de satisfazer à demanda, e se produzirá um colapso na indústria. Pois bem, creio que uma idéia como a de peak painel é precisamente uma idéia que emana da ilusão “de estabilidade” da que eu lhes falava antes. Por que? É muito claro. Um colapso de oferta como o que prevê o peak painel só pode ocorrer se existe uma única fórmula de painelização e esta fórmula tem problemas. Isto é, se por alguma razão os modelos atuais de painel fossem os únicos possíveis, e, subisse a demanda progressivamente enquanto se mantém fixa a quantidade de pessoas dispostas a participar em enquetes, pois sim, haveria peak painel. Mas o erro (imenso) é considerar que os atuais modelos de painelização são os únicos possíveis. Mas se em realidade são quase os primeiros que provamos! Mas se estamos em plena revolução do comportamento dos usuários de Internet! Que ingenuidade pensar que não aparecerão fórmulas que aumentem as pessoas predispostas a participar em enquetes! (…e que pessimismo, é quase suspeito…)
Quem previu peak painel para a indústria creio que está olhando o mundo atual com uns óculos de metade do século 20 ainda. Na realidade, há algo muito revelador de que olham, efetivamente, com os óculos equivocados. E é que o mesmo termo, peak painel, vem dos debates a respeito do abastecimento de petróleo no mundo. A teoria original se chamou peak oil, e sustentava que o crescimento da demanda de petróleo era superior ao crescimento da capacidade de extração de petróleo, condicionado (este último) pela tecnologia de extração. Alguém crê que as tecnologias web e o comportamento dos internautas evoluirão nestes próximos anos tão lentamente como as tecnologias de extração de petróleo? (porque esta é a hipótese subjacente à tese do peak painel!!).
Não haverá peak painel. A teoria é muito memética, mas acreditem em mim, não haverá nenhum colapso da oferta, apenas mudanças nas tecnologias/metodologias de captação e pesquisa. E se os meus argumentos não lhe convencem, direi-lhes que ao longo destes dias de congresso na bonita cidade de Montreal, Canadá, tive a ocasião de falar com vários dos principais atores nesta indústria do online fieldwork, e pude comprovar o que lhes dizia: que não haverá peak painel. E até aqui posso falar.

Escrito por German Loewe.

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