June 5, 2019 | Albert Turbina

Menos é mais: pesquisas em smartphones

Que o smartphone está entre nós e chegou para ficar não é nenhuma novidade. O número de pessoas conectadas a serviços móveis já ultrapassou os 5 bilhões globalmente, segundo o reporte The Mobile Economy 2018. 

Na Europa, no 2017, a penetração de Internet móvel foi de 72%. O crescimento de usuários que se conectam à internet por meio de um smartphone na América Latina é muito alto também. Segundo a GSMA Intelligence, somente em 2017 a penetração da telefonia móvel no Brasil foi de 67%, em relação ao total da população. No México, a penetração foi de 63%. 

A realidade é esta: o mundo online acontece no PC, no tablet e cada vez mais no smartphone. Por isso só nos resta uma opção: nos adaptar ou ficar por fora.

pesquisas em smartphonesOnde estamos?

Se navegarmos pelos sites mais modernos e na moda, é possível observar facilmente que, as regras gerais de design vêm sendo modificadas atualmente. A tendência vai em direção a um web design minimalista. O objetivo principal agora é combinar design e funcionalidade da maneira mais simples possível. O usuário não deve se confundir, não deve se perder e nem se distrair no site.

Não podemos esquecer que o mais importante em um site é o seu conteúdo. Com o uso de dispositivos móveis para navegar, não podemos mostrar o mesmo que antes. Simplesmente não cabe na tela, e precisamos ter consciência disso.

Como no dispositivo móvel é imprescindível transmitir a informação de maneira adequada, temos que fazer um design minimalista. Isso é, sintetizar tudo que se quer transmitir, focar no conceito e trabalhar em uma boa estrutura.

Até o surgimento do smartphone, a dificuldade do web design estava muito concentrada em resolver a diferença de comportamento entre navegadores. A existência de navegadores como o Internet Explorer, o Firefox e o Chrome obrigava a pensar, no momento de programar um site, em como se poderia visualizar corretamente em cada um deles. Mas nessa época havia sempre tamanhos de telas muito similares.

Agora a tudo isso se adicionam: Androids, iOS, Windows, smartphones, tablets, phablets, ipads… um monte de palavras que não indicam nada menos que uma variedade infinita de dispositivos. Atualmente não é possível testar tudo que se faz em todas as combinações de dispositivos e navegadores possíveis, é preciso mudar de estratégia.

A solução que vem sendo aplicada de maneira global se chama responsive web design ou design adaptado, ou seja, a página se adapta ao tamanho da tela em que está sendo visualizada. Deste modo solucionamos todo o problema dos dispositivos. Convido você a abrir a página www.netquest.com e deixar a janela do navegador mais estreita, e você verá como a página se adapta à janela. É responsivo!

 

Muito bem, mas eu sou pesquisador, no que isso me afeta?

Provavelmente você possui um smartphone e já navegou por um site que não está adaptado a dispositivos móveis. Acredito que concordaremos ao dizer que a experiência é muito desagradável.

E isso quando podemos chamar de “experiência”, porque o mais comum é fechar a página e pensar “vejo isso depois em casa”, algo que provavelmente não acontecerá porque nos esqueceremos.

Você deve estar pensando, “não entendo, nós fazemos pesquisas e não páginas web, não?”. Sim, mas as pesquisas são páginas web, estão online e, portanto, podem ser acessadas por qualquer dispositivo e de qualquer lugar.

Uma pesquisa online nada mais é que um questionário no formato de uma página onde é mostrado o conteúdo ao qual o usuário deve responder de maneira adequada. Os princípios de programação e design devem ser os mesmos que de um site, isso é, aplicando o minimalismo e a responsividade.

Os números observados atualmente na Espanha são surpreendentes, por exemplo: hoje, 56% dos painelistas da Netquest responde as pesquisas através de dispositivos móveis, e 4% responde usando tablets.

Se observarmos a América Latina, por exemplo o Brasil, os dados são de 52% em dispositivos móveis e de 1% via tablet. No México temos 58% por smartphone e 2% em tablet, e na Argentina 52% em dispositivos móveis e quase um 1% tablet.

São dados suficientemente grandes para dizer que chegamos tarde se já não estamos adaptando nossas pesquisas.

 

Soluções e estratégias

Diante desse problema, podemos adotar diferentes estratégias:

  • Estratégia 1: Eu não me preocupo com isso, basta que não respondam com um dispositivo móvel e assim já não existe o problema.

Este é um enfoque que acredito que seja um erro. Estaríamos deixando de fora de nossa análise por volta de 10% a 20% da população online. Provavelmente estes participantes que estamos deixando de fora sejam pessoas de um target difícil de obter, como são os jovens e adolescentes. Ou se falamos de América Latina, pessoas de classe baixa sem acesso a um computador.

 

  • Estratégia 2: Deixar tudo igual.

Acredito que esta é a pior estratégia de todas, não há nada pior do que responder uma pesquisa por 20 minutos em um dispositivo móvel e chegar em um ponto onde se mostra uma bateria de perguntas de 10 linhas e 10 colunas a qual não há maneira de responder porque não se entende nada.

Em um caso assim, é muito importante indicar ao início da pesquisa que por qualquer razão que seja, ela não pode ser respondida desde um dispositivo móvel. No fim das contas, certamente você encontrará situações nas quais a pesquisa só pode ser respondida em um PC ou tablet, mas trate de evitá-las na medida do possível.

Para dar um exemplo, não faz sentido que uma pesquisa com uma estante de compras virtual na qual apareçam muitos produtos possa ser respondida em um dispositivo móvel. Mas é nosso dever informá-lo ao usuário e facilitar a ele o acesso por outras plataformas como tablet ou PC.

 

  • Estratégia 3. Mobile first

Sem dúvidas, é a melhor estratégia!

A tendência dominante em web design é a de ‘mobile first’. Se trata simplesmente de pensar primeiro como se verá o conteúdo no smartphone. A ideia de fundo é muito básica: se algo se vê bem em um dispositivo móvel, com certeza se verá bem em um tablet ou em PC.

Aplicar esta ideia ao design da sua pesquisa será uma aposta ganhadora. Pensar assim te obriga a sintetizar muito o conteúdo e a estrutura da sua pesquisa. Como já dizia o título do post, menos é mais.

Em primeiro lugar, a forma como mostraremos as coisas é importante. Não façamos aquela bateria gigante de 10 linhas e 10 colunas, senão que a dividamos em várias telas, ou dentro de uma mesma tela com uma pergunta debaixo da outra. Ou imagine uma outra maneira de obter a mesma informação por vias totalmente novas, que tal uma pergunta de arrastar os conceitos?

pesquisas em smartphones 2

O conteúdo da pesquisa deve ser mais compacto, as perguntas mais curtas e as frases mais sintéticas. Ao escrever um questionário, quando não estamos seguros de que algo será entendido o mais fácil é colocar texto atrás de texto, difícil é dizer bem e em poucas palavras.

Como uma vez disse Blaise Pascal ao terminar uma carta que enviou a um amigo: “E… se escrevi esta carta tão longa, é porque não tive tempo de fazê-la mais curta.”

 

Recomendação final

O dispositivo móvel é uma realidade que precisa ser atendida. Faça com que seja prático e cômodo responder a uma pesquisa com ele: use botões de resposta grandes; use outras técnicas; coloque cores diferentes na sua escala se acredita que ficará mais claro; diga a mesma coisa de um jeito diferente; e se uma pesquisa é muito longa, divida-a em duas.

Lembre-se: Minimalista, responsivo e pense no dispositivo móvel primeiro!

Para encerrar, brinque, pense e aprenda de novo, mas lembre-se: agora ‘menos é mais’.

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Albert Turbina

About the author

Albert Turbina | Head of the panel experience, Netquest

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